Gartner 2026

Quando a IA ganha acesso, identidade e capacidade de agir

Nossa análise a partir do Gartner Security & Risk Management Summit 2026.

4 e 5 de agosto de 2026 · São Paulo

Nossa presença

Nossa presença no Gartner 2026

Nos dias 4 e 5 de agosto, acompanhamos em São Paulo o Gartner Security & Risk Management Summit 2026, dedicado a segurança, riscos cibernéticos, identidade e resiliência empresarial.

Uma discussão atravessou diferentes temas do evento: a Inteligência Artificial começa a ocupar uma posição diferente dentro das organizações.

Um modelo pode recomendar uma ação. Uma solução agêntica pode consultar informações, utilizar ferramentas, acessar outros sistemas, iniciar processos e executar sequências de tarefas.

Essa diferença muda o objeto da segurança.

O risco deixa de estar apenas no que a IA diz. Ele passa a incluir o que ela tem autorização para fazer.

O ensaio produzido pelo Observatório após o evento identifica justamente essa passagem, de sistemas que produzem conteúdo para sistemas capazes de atuar sobre processos, registros, dados e decisões.

Identidade

Identidade também passa a ser uma questão de IA

Empresas sempre administraram identidades de pessoas, aplicações e máquinas.

Com agentes de IA, surge uma identidade operacional capaz de utilizar credenciais, consultar bases, herdar permissões e agir em nome de uma pessoa ou organização.

  • 01Em nome de quem a IA está agindo?
  • 02A quais dados pode acessar?
  • 03Quais ferramentas pode utilizar?
  • 04Por quanto tempo as permissões permanecem válidas?
  • 05Quem autorizou essa ação?

Princípios conhecidos de segurança, como privilégio mínimo, segregação de funções, credenciais temporárias e revisão de acessos, tornam-se ainda mais importantes nesse ambiente.

Capacidade técnicaautoridade institucional

Uma IA pode ser capaz de executar uma tarefa sem necessariamente estar autorizada a fazê-la de forma autônoma.

Guardrails

Guardrails não bastam

Guardrails continuam importantes para limitar determinados comportamentos e respostas.

Mas, quando um sistema possui ferramentas e permissões reais, proteger apenas a camada de conteúdo se torna insuficiente.

Uma instrução maliciosa pode chegar por uma pessoa, mas também por um documento, e-mail, página ou base consultada pelo próprio sistema.

Se a IA apenas responde, uma falha pode gerar uma informação inadequada.

Se a IA também age, a mesma falha pode produzir uma consequência operacional.

Quando a IA age, a segurança precisa acompanhar a ação.

É por isso que segurança em IA precisa alcançar identidade, dados, permissões, ferramentas, integrações, observabilidade e recuperação, e não apenas aquilo que aparece na interface.

Supervisão

Supervisão precisa funcionar na prática

Outra consequência da autonomia é a necessidade de mecanismos reais de intervenção.

Não basta afirmar que existe supervisão humana.

  • 01Quem pode interromper o sistema?
  • 02Em quais situações?
  • 03Com que autoridade?
  • 04Uma ação executada pode ser revertida?
  • 05A operação consegue continuar se o modelo ou fornecedor ficar indisponível?

Quando a IA atua em pagamentos, cadastros, contratos, crédito, seleção de pessoas, saúde ou outros processos críticos, essas questões deixam de ser apenas técnicas.

Passam a fazer parte da continuidade e da responsabilidade empresarial.

01Interromper.
02Corrigir.
03Reparar.

O Observatório resume essa necessidade em três capacidades: interromper, corrigir e reparar.

A supervisão humana só é efetiva quando existe tempo e autoridade para intervir.

Os dados

O risco já está nas operações

O debate sobre sistemas autônomos pode parecer antecipar um futuro distante.

Os dados mostram o contrário.

22 mil+

interações e decisões de Inteligência Artificial auditadas

11,1%

apresentaram riscos relevantes

Foram encontrados problemas relacionados à exposição inadequada de dados pessoais, vieses, compromissos comerciais indevidos e situações capazes de afetar pessoas e organizações.

Esses desvios foram identificados em sistemas que, muitas vezes, ainda atuavam principalmente no campo da linguagem.

Quando a mesma decisão passa a gerar automaticamente uma ação, a distância entre a falha e sua consequência diminui.

Seis perguntas

Seis perguntas para levar para a empresa

Antes de aumentar a autonomia da IA, uma organização deveria conseguir responder:

  1. 01.Quem autoriza o sistema a operar?
  2. 02.Em nome de quem ele age?
  3. 03.A quais dados, sistemas e ferramentas ele pode acessar?
  4. 04.Quais decisões não podem ser tomadas autonomamente?
  5. 05.Que evidências ficam registradas de cada decisão e ação?
  6. 06.Como interromper, corrigir, reverter e recuperar?

São perguntas de tecnologia, mas também de negócio, jurídico, segurança, compliance, auditoria e liderança.